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A viagem do Papa ao México e o silêncio da mídia e dos poderosos

25/02/2016 14:41:07

Por Robson Sávio Reis Souza

Pouco se falou sobre a viagem do Papa Francisco ao México. Francisco tem incomodado por demais os poderosos, com gestos, palavras e ações. E a mídia, serviçal dos “donos do mundo”, tem boicotado, de variadas formas, o Papa que prega, sem temor, que um mundo melhor só é possível se superarmos os abismos que separam os poucos ricos e opulentos dos bilhões de pobres, excluídos; “os descartáveis” do capitalismo concentrador de renda e riqueza.

Na peregrinação, a começar pela passagem por Cuba para o encontro com o Patriarca de Moscou, Francisco explicitou mais uma vez, com palavras e gestos, o desejo de uma Igreja pobre com os pobres.

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Foram muitos os momentos cheios de afeto vividos pelo e com o Papa. Num hospital, Francisco se emocionou com o canto da “Ave Maria”, em latim, por uma menina com câncer. Noutro momento marcante da viagem, acolheu no altar portadores de deficiências. Numa prisão disse: “é engano acreditar que temos segurança prendendo pessoas”. Num mundo marcado pelo adensamento seletivo das prisões, inclusive no Brasil, a constatação de Francisco é uma denúncia ao modelo de justiça criminal focado na criminalização dos pobres, negros e excluídos.

O último compromisso papal, a vista a Ciudad Juarez, na fronteira entre o México e os Estados Unidos, o grande Império, foi um gesto profético, uma denúncia e, em boa medida, um desafio às potestades e seus líderes. Francisco, silenciosa e firmemente, abençoou as cruzes que simbolizam os milhares de mexicanos e outros latinos mortos à busca de uma suposta vida melhor na terra de Tio Sam. Suposta vida melhor, porque os imigrantes nos Estados Unidos, se descobertos, são tratados como escória humana.

Também no México, Francisco, não por acaso, proferiu a mais dura condenação aos ricos e poderosos. Disse, repetindo as palavras de Jesus, que eles prestarão contas sobre as fortunas construídas sobre o sangue e o suor e as lágrimas das pessoas.

 

Toda vez que buscamos o caminho do privilégio ou o benefício de poucos em detrimento do bem comum, cedo ou tarde a vida em sociedade se torna terreno fértil para a corrupção, o narcotráfico, a exclusão, a violência e até o tráfico de pessoas, o sequestro e a morte”. (Papa Francisco).

De volta ao Vaticano, em entrevista aos jornalistas, no avião, Francisco não titubeou em relação ao suprassumo da imbecilidade, opulência, arrogância e ostentação norte-americana, o bilionário Donald Trump, candidato republicano à presidência. Disse que ele não pode ser qualificado como cristão, porque é um sujeito que só tem projetos para construir muros a separar as pessoas. Clara referência ao muro estadunidense; ao muro israelense e a tantos outros muros que segregam e discriminam o diferente: são muros de concreto e de ódio.

Francisco é uma bênção para a humanidade!

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