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Crítica | Agente Secreto

23/07/2022 17:40:37

Novo longa dos irmãos Russo se mostra um potencial desperdiçado e decepcionante

agente oculto
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Os nomes de Anthony e Joe Russo enchem os olhos de qualquer um quando aparecem em um novo projeto, especialmente depois que os cineastas dirigiram a segunda maior bilheteria de cinema de todos os tempos, Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame, 2019), com US$ 2,797 bilhões arrecadados globalmente.

No entanto, não é sempre que eles acertam, e o mais novo exemplo disso é o recente lançamento de ação da Netflix, Agente Oculto (The Gray Man), que, sem delongas, se mostrou uma grande e estrondosa decepção.

É verdade que o filme é bonito de se ver, com imagens lindíssimas, um breve vislumbre de figurino ousado, algumas boas cenas de luta e uma certa grandiosidade que somente os irmãos Russo sabem fazer, como eles já bem provaram com suas produções na Marvel. Mas ficamos por aí.

Agente Secreto é o segundo filme original mais caro da plataforma de streaming a partir de 2021, com orçamento de US$ 200 milhões, perdendo apenas para Alerta Vermelho (Red Notice), outro enorme desapontamento.

As duas obras, aliás, possuem outro ponto em comum além de serem fraquíssimos, algo que contrasta diretamente com o resultado final: um grande elenco. Enquanto Alerta Vermelho traz como trio principal, Dwayne Johnson, Ryan Reynolds e Gal Gadot, Agente Oculto ostenta ainda mais com Ryan Gosling, Chris Evans, Ana de Armas, o novo príncipe de ébano da atualidade Regé-Jean Page (o duque Simon, de Bridgerton) e, para completar, a participação de Wagner Moura.

E tal constatação leva à seguinte conclusão: um elenco estelar não quer dizer tudo sobre um filme. A qualidade dos atores tem um limite instransponível que esbarra em algumas variáveis, entre elas o roteiro e a forma como ele é dirigido. E não há dúvida de que o elenco de Agente Oculto fez milagres para conseguir que algumas pessoas tivessem a paciência de assistir seus longos e desinteressantes 122 minutos de duração.

No entanto, além de ser clichê do início ao fim e não ter nada que aguce a curiosidade do espectador, o longa ainda é incapaz de tornar seus personagens um mínimo interessantes, ainda que o objetivo não fosse fazer um estudo profundo sobre eles. Isso, inclusive, nem seria um grande problema, se esses mesmos personagens não fossem chatos, ou pelo menos tão apáticos que não fizessem diferença.

O Lloyd de Chris Evans tenta ser um vilão bom de serviço que tenta disfarçar sua origem por trás de uma pseudointeligência forçada e tentativas de ser engraçadinho. Mas apesar do esforço do ator, o personagem não funciona.

O mesmo se pode dizer de Wagner Moura, não obstante sua rápida participação. Nós já conhecemos o nível de seu trabalho, mas a bizarrice de sua aparência e a afetação de Laszlo, seu personagem, extrapolam um pouco o razoável. E olha que ele ainda conseguiu segurar as pontas, tamanho seu talento.

Quanto a Ryan Gosling, o grande protagonista, e Ana de Armas, dois gigantes do cinema contemporâneo, ambos não têm espaço para crescer. O resultado são personagens apáticos que não nos empolgam em nenhum aspecto.

Assim, parece que os diretores, preguiçosos apesar do orçamento que tinham em mãos, preferem se esconder atrás de artifícios a que assistimos repetidamente até cansar, inclusive os movimentos de câmera, que acabam perdendo seu inusitado.

É por isso que, no fim, Agente Oculto se provou um grande desperdício de potencial que provavelmente ficará nos top 10 da Netflix por algum tempo, mas, sinceramente, sem merecer.

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