Blog O cinema é

Crítica | A Mulher do Viajante no Tempo – 1ª temporada

30/06/2022 09:00:51

A chegada e a partida são só dois lados da mesma moeda…

a mulher do viajante no tempo
© MC Clap Yo Handz via TMDb. Todos os direitos reservados.

É comum hoje em dia que vários críticos, sites, blogs e perfis em redes sociais que tratam sobre cinema façam listas com as melhores e as piores produções do ano, entre filmes e séries. Nós já estamos no meio de 2022 e algumas dessas listas já saíram, classificando as melhores e piores obras até o momento.

Não vou citar nomes, mas já vi A Mulher do Viajante do Tempo (The Time Traveler’s Wife), série que estreou recentemente na plataforma da HBO Max, entre as piores – algo que me deixou realmente triste.

É claro que não é preciso nem dizer que nada pode ser mais subjetivo do que essas classificações e, por isso, em minha lista, a série está no topo (pelo menos até agora!).

A Mulher do Viajante do Tempo segue o casal Henry (Theo James) e Clare (Rose Leslie), num intrincado romance que enfrenta um problema peculiar: ele é um viajante no tempo e vive sumindo, num piscar de olhos, deixando somente as roupas para trás. No momento seguinte, ele está em algum lugar do passado ou do futuro.

Essa trama talvez não lhe seja estranha. Há uma versão cinematográfica dessa estória, estrelando Eric Bana e Rachel McAdams, com o mesmo nome e o mesmo mote (disponível também na HBO Max e na Netflix), lançada em 2009.

Sendo assim, fiquei pensando o que levaria alguém a colocar a série de Steven Moffat entre as piores do ano e, embora possa haver vários motivos (e obviamente há!), resolvi expor aqui o que me levou, ao contrário, a lista-la entre as melhores.

Uma das razões é, sem dúvida, a escolha dos protagonistas dos quais eu, particularmente sou fã. Mas independente disso, Theo James – o Quatro da saga Divergente –, e Rose Leslie – a Ygritte de Game of Thrones -, fizeram um trabalho maravilhoso transitando entre várias idades ao longo da temporada, numa belíssima composição com o figurino e maquiagem.

Outra razão é a montagem… que é excepcional.

Ora, como se sabe, trabalhar com viagem no tempo nunca é fácil. Basta uma pequena desatenção para o roteirista se perder e confundir o público, mas isso não acontece aqui. A forma como são mostradas as idas e vindas de Henry na linha temporal, seus encontros com Clare, amigos e até (pasmem!) com ele mesmo, é extremamente bem conduzida e bem feita, o que faz toda a diferença.

Sendo assim, a maneira como uma estória é contada determina o seu sucesso e, disso A Mulher do Viajante do Tempo se desincumbiu muito bem. O tempo é a medida de todas as coisas e a espera é a angústia da alma dos protagonistas.

E assim, mais uma vez, os versos de Milton Nascimento e Fernando Brant em Encontros e Despedidas me vêm à tona para lembrar que:

“ […]

Todos os dias é um vai e vem

A vida se repete na estação

Tem gente que chega pra ficar

Tem gente que vai pra nunca mais

Tem gente que vem e quer voltar

Tem gente que vai e quer ficar

Tem gente que veio só olhar

Tem gente a sorrir e a chorar

E assim, chegar e partir

São só dois lados

Da mesma viagem

O trem que chega

É o mesmo trem da partida

[…]”

Como será conhecer o homem da sua vida aos seis anos de idade? Como será esperar essa criança crescer para se tornar a mulher dos seus sonhos? É isso que você vai encontrar na série que, no geral, acreditem, é ainda melhor que a versão anterior em filme.

Comentários