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Crítica | A Lenda de Candyman

23/06/2022 21:27:15

Filme é um eco do que poderia ter sido, mas não foi

A Lenda de Candyman Destaque
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Tentando levantar sua carreira, o pintor Anthony McCoy (Yahya Abdul-Mateen II) busca inspiração numa antiga lenda ligada a um assassino, mas o sucesso de sua exposição acaba trazendo sérias repercussões.

Sequência “espiritual” direta do Candyman original (1992), A lenda de Candyman aposta numa abordagem de crítica social em meio uma história de terror fraca, aumentando uma franquia que, como o assassino que ocupa seu epicentro, não deveria ter sido evocada novamente.

Sendo assim, de uma forma geral, levando em conta diálogos fracos e situações rasas, acredito que o grande problema dessa película seja a pouco profundidade de seus personagens e principalmente da lenda em que é centrada, preocupando-se muito mais com o contexto de gentrificação e outras discussões raciais do que com a própria história, usando de um caráter pedagógico desnecessário.

Na verdade, a diretora Nia DaCosta e seu coprodutor Jordan Peele tinham vários ingredientes incríveis na mãos – bons atores, boa história e talento – que não souberam misturar, resultando em um filme de aleatoriedades perdido em meio aos temas que tanto queria explorar.

Por outro lado, DaCosta e Peele souberam dar à sua obra uma belíssima roupagem. A paleta de tons frios que destacam os detalhes de cores quentes como o amarelo e o vermelho é realmente muito linda e a fotografia, invejável. A trilha sonora também é belíssima.

No entanto, nenhum desses detalhes são suficientes para salvar o enredo, já que não só de aparências vive um filme. Ele precisa de conteúdo e é fácil perceber que foi isso que A lenda de Candyman não teve, desperdiçando os talentos que possui, como Colman Domingo, que interpreta William Burke, sem dúvida um dos melhores personagens da história e que praticamente se presta a um papel de narrador.

Dessa maneira, infelizmente, apesar de todo o fascínio que a lenda de Candyman, o assassino evocado quando seu nome é pronunciado cinco vezes diante do espelho, pode gerar – não somente na película, mas também nos espectadores – as expectativas quanto a ele não se materializaram.

O filme não foi de todo mal, todavia, em razão de todo o aspecto técnico mencionado que foi manejado com maestria. Ele está mais para uma magia negra forte que não foi lançada corretamente, produzindo somente um eco do que poderia ter sido, mas não foi.

Publicado originalmente em O Cinema é
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