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Crítica | O Poderoso Chefinho 2: Negócios da Família

07/07/2022 09:00:01

Apesar de uma pontinha desconfortável, animação surpreende e confirma porque o filme original foi um sucesso

O Poderoso Chefinho 2: Negócio da Família Destaque
© Divulgação Universal

Ted (Alec Baldwin) e Tim Templeton (James Marsden) cresceram, se tornaram adultos, se afastaram… mas uma nova chefe, ou melhor, chefinha, com uma nova abordagem, vai tentar reuni-los novamente no negócio familiar.

Dando continuidade à nova franquia do diretor Tom McGrath (Madagascar, Madagascar 2, Madagascar 3), O poderoso chefinho 2: De Volta aos Negócios é divertido por si só. A simples forma com que McGrath conta sua história e os traços fofinhos dos personagens são os responsáveis por quase 100% do sucesso da animação, o que é totalmente compreensível! Por isso, é praticamente impossível sair do filme sem dar sequer uma risada.

Considerando um outro viés, no entanto, as coisas ficam um pouco mais complexas. Pessoalmente, considero um pouco bizarra esse super amadurecimento precoce de bebês, que já nascem andando, falando e, inclusive, como nos mostra essa sequência, programando! Sim, podem pasmar. Ao mesmo tempo em que exalta a infância, a franquia d’O poderoso chefinho de alguma forma faz com que essa fase da vida não exista, seja “fake”.

Sendo assim, o enredo do filme é no mínimo muito sugestivo quando o vilão incita uma revolta de bebês contra seus pais, ou seja, contra a sua família, as únicas pessoas no mundo que, como a própria Tina (Amy Sedaris) aponta, lhes dão amor incondicional. Em outras palavras, é uma forma infantilizada de tratar um assunto sério que hoje assola a sociedade – uma descrença generalizada e transcendental de um dos pilares mais importantes da vida.

Por outro lado, a animação lida muito bem com a ilustração do mundo atual, mostrando essa pressão que existe sobre as crianças de serem perfeitas, de serem o (a) primeiro(a) da classe e viverem enfiadas nos estudos, enfim, de crescerem rápido esquecendo de ser o que realmente são durante um espaço tão curto da vida: crianças.

Porém, por ser um filme cujo público alvo são essencialmente elas, as crianças, é óbvio que tudo em O poderoso chefinho 2 é feito de forma muito divertida e brilhantemente frenética. Como dito, é impossível sair da sala de cinema sem soltar uma boa gargalhada seja pelas piadas, seja pela fofurice de todo o contexto. Mesmo com essa pontinha desconfortável, o longa é uma animação que vale muito à pena.

Publicado originalmente em O Cinema é
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